Fonte: Bem Paraná

Para Paulo Leminski (1944 – 1989), Hélio Leites era o significador de insignificâncias. A expressão foi cunhada em 1986 em um artigo escrito pelo poeta em um jornal, ao falar sobre a busca do artista pelo trabalho com as miudezas da vida. Helena Kolody (1912 – 2004), no início dos anos 2000, fez uma gentil provocação ao artesão: porque você não escreve um livro? A resposta veio de forma também simpática: livro é para quem está sentado. Eu ainda estou caminhando e não sei onde esta história toda vai dar. Agora, quinze anos após o convite de Helena, Hélio apresenta para o mercado sua estreia na Literatura com Tarja Branca: o libreto que faltava.. O lançamento é hoje, O que sobra na vida é a lida. Lidamos por nós e pelos outros. Tem gente que reclama da canga que lhe cai no pescoço. Eu louvo. É a chance de arrastar o carroção de nossos pensares. Agradeço à trama que no tear cósmico revela a beleza da urdidura

Hélio Leites, 66, é uma figura conhecida na capital paranaense. Há décadas trabalha em uma barraca na Feira do Largo da Ordem, no centro da cidade, onde mantém um espaço que é mais do que um balcão para expor suas criações: trata-se de um pequeno palco de onde é possível ouvir histórias e fábulas a respeito das pequenas peças que produz. Hélio dedica-se a trabalhar com pequenas criações, muitas feitas com palitos de fósforo, tampinhas de garrafa, embalagens vazias reutilizadas e os clássicos botões, uma marca registrada da sua obra.

Tarja Branca: o libreto que faltava é uma reunião de crônicas escritas nos últimos anos pelo artista e distribuídas para um seleto grupo de amigos via e-mail. Nos anos 1970 Hélio já se dedicava a distribuir seus escritos e provocações literárias pelos correios para interessados na sua produção, movimento que era então chamado de Mail Art. Mais recentemente, com a facilidade da comunicação digital, o artista ampliou o alcance da sua distribuição, falando com gente de todo o mundo.

A organização dos textos coube ao escritor Luiz Andrioli, autor de O laçador de cães (2013) e O silêncio do vampiro (2014). Andrioli e Hélio se conhecem há mais quinze anos por conta de suas atividades artísticas na capital paranaense. O projeto foi viabilizado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Curitiba e contou com o apoio da Caixa Econômica Federal e Celepar. Parte dos exemplares impressos serão distribuídos gratuitamente para escolas e instituições de ensino e pesquisa. O livro também conta com versões em áudio (narrada pelo próprio autor) e digital, as quais podem ser baixadas gratuitamente pelo site da editora (www.prosanova.com.br)

O título faz parte da coleção Por um mundo menor, que reunirá somente autores que trabalham com narrativas curtas, a partir de um olhar aguçado sob o cotidiano. O próximo livro da série será assinado por Andrioli, com o título de Crônicas do varal da casa ao lado, com lançamento previsto para 2018.

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