Fonte: Fábio Campana – Política, cultura e o poder por trás dos panos.

Foto o circo e a cidade

A família Queirolo virou livro. O escritor e jornalista Luiz Andrioli reuniu histórias do grupo circense mais famoso do Paraná e escreveu “O Circo e a Cidade”. O texto não conta apenas a história da família entre 1940 e 1970, mas também busca entender como o imaginário curitibano via os Queirolo e ilustrá-lo através de dezenas de fotos de acervos públicos e particulares colhidas pelo autor e pelo jornalista Adriano Justino, que contribuiu para a edição e para a pesquisa do projeto.

Desde a década de 40, a família faz parte do imaginário infantil. Os Queirolo chegaram em Curitiba em 1942 para a inauguração do Pavilhão Carlos Gomes, o principal centro de diversão da época. Uma das apresentações que o público mais gostava eram as piadas dos “Reis da Galhofa”, a dupla Harris e Chic-Chic, interpretados pelos irmãos Julian e Otelo. Chic-chic chegava sempre acompanhado da cachorrinha de pano e declamando o famoso bordão: “Violeta, pula!”.

A família também trabalhou no luxuoso Cassino Ahú, onde encenavam os números acrobáticos dos “Cinco Diabos Brancos”. Em 1960, com o surgimento da TV em Curitiba, os Queirolo fizeram suas primeiras experiências no veículo, em programas como “Fiorela”, “Cirquinho Canal 6”, “Cirquinho do Chic-chic” e “Clube do Capitão Furacão”.

Quando a arte circense entrou em declínio, no final de 1970, a prefeitura tentou ajudar o grupo doando um circo novo, mas não deu certo. Eles devolveram a lona depois de chegar à conclusão de que os tempos haviam mudado. Hoje, os integrantes da quarta e da quinta gerações ainda tentam manter a tradição em alguns espetáculos e serviços culturais.

O projeto foi premiado pela Fundação Cultural de Curitiba em 2006 através do edital “Identificação e Registro do Patrimônio Imaterial”, uma iniciativa para valorizar a preservação da cultura da cidade. O livro faz parte da coleção “A Capital” e acaba de ser reeditado.

 

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