Maringas Maciel

Março prometia

  

A nova montagem do TCP (Teatro de Comédia do Paraná) estava pronta para a estreia no Festival de Curitiba. ‘TodoMundo’, texto dede Branden Jacobs-Jenkins, com direção de Rodrigo Portella e um elenco de ponta, teria sua estreia no Festival de Curitiba e depois seguiria temporada no Guairinha e viajaria pelo Paraná e algumas capitais do Brasil. Após um longo processo de criação (que eu acompanhei desde o início)e 3 apresentações para convidados que foram um sucesso, estávamos iniciando a captura das fotos para o cartaz e programa da peça. A estreia foi adiada, veio a pandemia, veio a quarentena (necessária) e a peça ficou parada no ar.

 

Março prometia

 

A programação 2020 da Orquestra Sinfônica do Paraná estava programada para ter seu primeiro concerto da extensa e bela temporada em 15 de março. O Maestro Stefan Geiger chegou da Alemanha, ensaiou durante a semana a orquestra para o concerto de abertura de temporada – Assim Falou Kubrick – com peças musicais usadas na trilha sonora do genial cineasta. No sábado, véspera do concerto, a apresentação foi cancelada numa difícil (mas necessária) decisão de evitar aglomerações, evitando assim colocar em risco o fiel público da Orquestra Sinfônica do Paraná. Em menos de 24hs foi acionada uma pequena equipe de captação de vídeo e áudio e no domingo, no horário programado para o concerto, a Orquestra Sinfônica do Paraná executou o lindo concerto no Guairão vazio. Poucos dias depois, o concerto gravado estava disponível nas redes sociais para que o público que não pode estar no teatro ter a oportunidade de ver e ouvir o lindo espetáculo. Os demais concertos da OSP, programados para a temporada 2020, estão em compasso de espera; a música ficou parada no ar.

 

Março prometia

 

O Balé Teatro Guaíra estava ensaiando ‘Romeu e Julieta’ que seria dançado numa temporada em abril. eu estava começando a produzir as fotos para o cartaz e programa do lindo bailado, quando veio a pandemia, veia a quarentena e a dança ficou parada no ar.

Março prometia, mas veio a pandemia, veio a quarentena e eu estou em casa desde 15 de março, fotografando apenas o Gordo, meu companheiro felino de isolamento social. A fotografia está parada no ar, esperando tudo isso passar.

Maringas Maciel
Fotógrafo

 

 

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Arte parada no ar | Benedito Costa Neto

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Manifesto
Arte parada no ar

 

O perigo vem pelo ar
O simples respirar é um risco
Estamos em suspenso
Atônitos
Parados

Se antes ofegantes
pelos tempos sombrios da política,
agora interrompemos a inspiração
Nosso ofício
marcado pelo encontro de pessoas
parou

Artistas isolados
Os primeiros a parar
Sem saber quando poderemos voltar

Nossos palcos cobertos de poeira
Refletores no escuro
Exposições com quadros no chão
Músicos sem plateia
Picadeiros sem graça
Sapatilhas guardadas 
Livros inéditos
Câmeras desligadas

Registramos nosso momento em imagens e textos.
Criamos, sim, dentro dos limites deste novo normal
que ainda não imaginamos
nem nas distopias mais futuristas

Um rascunho
Um ensaio aberto
Um improviso

Um respiro
mediado por telas digitais
e máscaras

Arte parada no Ar
Um retrato
e um desabafo
de criadores que resistem

Arte parada no ar é um manifesto em construção.
Nossa inspiração vem do texto “Um grito parado no ar”, de Gianfrancesco Guarnieri. A peça estreou em 1973 em Curitiba, com direção de Fernando Peixoto. A obra driblou a vigilância da ditadura de então ao usar de uma linguagem metafórica para discutir os problemas sociais. O drama fala sobre as dificuldades de se fazer arte em um tempo de repressão.

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