
Tipos de arquivo de livro digital: o que mudou desde 2021
Este guia de tipos de arquivo de livro digital foi publicado em 2021 e reescrito do zero em setembro de 2026 — porque dois dos quatro formatos que ele listava morreram no caminho, e porque o assunto que mais importa hoje, acessibilidade, não estava lá.
Abaixo: os treze formatos que circulam de verdade, com selo dizendo quais ainda se usam; o que a lei brasileira exige de quem vende livro para escola; onde a escola consegue livro digital de graça; e onde se publica o próprio.
O que morreu entre 2021 e hoje
Se você tem material didático preso em algum destes formatos, esta é a parte urgente.
Linha do tempo
- jul · 2020A Apple descontinua o iBooks Author. O formato .iba para de ser produzido; arquivos existentes passam a abrir só no Pages.
- ago · 2021A Amazon deixa de aceitar MOBI para livros reflowable no KDP.
- ago · 2022O Send to Kindle deixa de aceitar MOBI. Arquivos já enviados continuam funcionando.
- mai · 2023O W3C publica o EPUB 3.3 como recomendação. É a versão corrente.
- out · 2024Sai a EPUB Accessibility 1.1, que recomenda WCAG 2.2 nível AA.
- mar · 2025A Amazon recusa MOBI por completo, inclusive fixed layout. Fim da linha.
- jun · 2025Entra em vigor o European Accessibility Act, que inclui livro digital no escopo.
- jul · 2026O W3C abre consulta do EPUB 3.4 e da EPUB Accessibility 1.2.
Fontes: Amazon KDP, Apple Support, W3C e EUR-Lex. Datas conferidas em setembro de 2026.
Quais são os tipos de arquivo de livro digital?
Treze formatos que circulam hoje, o que cada um resolve e o que cada um impede.
13 formatosA diferença que decide tudo: página fixa × texto que reflui
PDF no celular
A página inteira do livro impresso é reduzida até caber na tela. O texto continua na mesma posição, no mesmo tamanho relativo, com as mesmas quebras de linha do papel.
O leitor precisa dar zoom e arrastar para os lados a cada parágrafo. Quem tem baixa visão não consegue aumentar a letra: só a imagem inteira.
É o formato certo para prova, partitura e ficha de atividade. É o formato errado para leitura corrida.
EPUB no celular
O texto reflui: acompanha a largura da tela.
O leitor escolhe o corpo da letra, o espaçamento e o contraste.
É o que permite ler no ônibus — e o que permite ao leitor de tela ler em voz alta.
O mesmo trecho, nos dois formatos, num celular. Não é questão de gosto: é a diferença entre um arquivo que se adapta ao leitor e um que obriga o leitor a se adaptar a ele.
Electronic Publication · W3C (era IDPF até 2017)
O padrão aberto do livro digital. Versão corrente 3.3, recomendação do W3C desde 25 de maio de 2023; a 3.4 está em consulta desde julho de 2026. O texto reflui: acompanha o tamanho da tela e o corpo de letra que o leitor escolher.
Na escola É o único formato que entrega, ao mesmo tempo, áudio e vídeo embutidos, MathML, leitura sincronizada com destaque da palavra (read aloud) e página de posição fixa quando a diagramação importa. Para didático, não é “a versão nova” — é o único que faz o serviço.
Acessibilidade Alto. É a base do EPUB acessível, que o PNLD já distribui.
Portable Document Format · Adobe / ISO 32000
Página de posição fixa. Foi desenhado para reproduzir o impresso na tela, e faz isso muito bem. O que ele não faz é se adaptar.
Na escola Ótimo para o que precisa manter a diagramação: prova, partitura, atlas, ficha de atividade para imprimir. Ruim como livro de leitura corrida, sobretudo no celular, onde o aluno passa a maior parte do tempo dando zoom e arrastando.
Acessibilidade Baixo por padrão. Só é acessível se tiver sido marcado com tags durante a produção — o que quase nenhum PDF de escola tem.
.mobi · Amazon (era Mobipocket)
Morreu em três etapas: a Amazon parou de aceitar MOBI reflowable no KDP em 1º de agosto de 2021, o Send to Kindle deixou de aceitar em agosto de 2022, e em 18 de março de 2025 o formato foi recusado por completo, inclusive fixed layout.
Na escola Não produza nada em MOBI. Arquivos antigos que já estão no seu Kindle continuam funcionando, e livros publicados antes seguem no ar sem precisar de ação — mas como formato de trabalho, acabou.
Acessibilidade Nenhum. Nunca teve recurso de acessibilidade.
.iba — iBooks Author · Apple
A Apple descontinuou o iBooks Author em 1º de julho de 2020 — um ano antes de este post ser publicado pela primeira vez. Arquivos .iba existentes hoje só abrem no Pages.
Na escola Se você tem material didático preso em .iba, abra no Pages e exporte em EPUB antes que a compatibilidade se perca. Livros já publicados na Apple Books continuam disponíveis.
Acessibilidade Não se aplica.
.azw3 — Kindle Format 8 · Amazon
Formato Kindle de segunda geração, lançado em 2011 com o Kindle Fire. Aceita HTML5 e CSS3, bem mais rico que o MOBI que substituiu.
Na escola Você pode encontrar em arquivo antigo ou em conversão feita pelo calibre. Não é o que se envia à Amazon hoje.
Acessibilidade Limitado.
.kfx · Amazon
O formato que os Kindles usam hoje, ligado ao Enhanced Typesetting — hifenização, kerning e composição melhor. É interno da Amazon: o leitor nunca escolhe, e o autor nunca envia.
Na escola Serve para entender uma coisa importante: o arquivo que você manda para o KDP não é o arquivo que o aluno recebe. A Amazon converte tudo.
Acessibilidade Depende do arquivo de origem.
.kpf — Kindle Package Format · Amazon
É o pacote gerado pelo Kindle Create, o programa gratuito da Amazon. Hoje é o formato que a própria Amazon recomenda para envio ao KDP.
Na escola Se a escola ou a editora publica na Amazon, o caminho mais curto é DOCX → Kindle Create → KPF. O KDP também aceita EPUB, DOCX, HTML, RTF e TXT.
Acessibilidade Herda o que vier do arquivo de origem.
Digital Accessible Information System · DAISY Consortium
O padrão de livro falado digital, norma NISO desde o DAISY 3. Sincroniza áudio, texto e imagem, com navegação por capítulo, página e parágrafo.
Na escola É o formato histórico dos acervos para estudantes cegos, em geral distribuído por entidades autorizadas e bibliotecas acessíveis. Não substitui o EPUB e não foi substituído por ele: o próprio consórcio mantém os dois e promove o EPUB 3 como caminho estratégico.
Acessibilidade Máximo. Foi feito para isso.
.cbz, .cbr · padrão de fato, sem mantenedor
Um ZIP (ou RAR) com as páginas dentro, como imagens numeradas em sequência. Simples ao ponto de não ter especificação formal.
Na escola É como circula quadrinho e mangá digital. Funciona bem em tablet e em leitor dedicado.
Acessibilidade Nenhum. É imagem pura, sem texto selecionável — o leitor de tela não lê nada. Se for usar em turma com estudante cego, precisa de descrição à parte.
documentos de texto · Microsoft / diversos
Não são formatos de livro: são formatos de documento. Não têm capa, sumário navegável nem estrutura de capítulo.
Na escola É de onde quase todo livro digital começa. O DOCX é aceito direto pelo KDP e é o ponto de partida mais comum de conversão para EPUB.
Acessibilidade Médio, se o autor usar os estilos de título em vez de negritar o texto na mão.
.html · W3C
A linguagem da web — e a base técnica do próprio EPUB 3, que é HTML empacotado em ZIP com um manifesto.
Na escola Material publicado direto no site da escola ou no ambiente virtual. Vantagem que ninguém lembra: é indexável pelo Google e acessível por padrão, quando bem marcado.
Acessibilidade Alto, quando o HTML é semântico.
.mp3 · padrão universal
Áudio comprimido que toca em qualquer aparelho fabricado nos últimos vinte e cinco anos.
Na escola Audiolivro simples, podcast pedagógico, áudio de língua estrangeira. O problema aparece no livro longo: não guarda capítulo nem lembra onde o ouvinte parou.
Acessibilidade Serve como alternativa ao texto, mas não é navegável.
.m4b — áudio AAC em contêiner MPEG-4 · padrão de fato
A variante de audiolivro do M4A: guarda capítulos, capa e o ponto em que a pessoa parou de ouvir.
Na escola É o que resolve o audiolivro de fôlego, em que o aluno ouve vinte minutos por dia durante duas semanas. O W3C publicou uma especificação de Audiobooks em novembro de 2020, mas o mercado seguiu em MP3 e M4B.
Acessibilidade Melhor que o MP3, pela navegação por capítulo.
Por que acessibilidade virou o centro do assunto?
Porque deixou de ser boa intenção e virou condição para vender livro à escola pública.
A Lei Brasileira de Inclusão é mais dura do que a maior parte do mercado percebeu. O artigo 68, § 1º da Lei 13.146/2015 determina que, nos editais de compra de livros — inclusive para acervos de bibliotecas de todos os níveis de ensino —, o poder público deve adotar “cláusulas de impedimento à participação de editoras que não ofertem sua produção também em formatos acessíveis”. Não é recomendação: é barreira de habilitação.
O § 2º do mesmo artigo define formato acessível por função, e não por extensão: arquivos digitais que possam ser reconhecidos por leitores de tela e outras tecnologias assistivas, permitindo voz sintetizada, ampliação de caracteres, contrastes diferentes e impressão em braile. A lei não diz “EPUB”. Mas, na prática, é o EPUB 3 que entrega isso.
O artigo 42, § 1º fecha a porta do argumento mais usado: é vedada a recusa de oferta de obra em formato acessível, inclusive sob alegação de proteção de propriedade intelectual. Na mesma direção, o Tratado de Marraqueche, incorporado pelo Decreto 9.522/2018, permite que entidades autorizadas produzam exemplar acessível sem autorização do titular, sem fins lucrativos, e troquem esses exemplares entre países signatários.
O PNLD já opera assim. O programa distribui obras em EPUB 3 acessível para estudantes com cegueira, baixa visão e dislexia, com chaves de acesso emitidas pelas escolas no PDDE Interativo. E existe edital específico de acessibilidade desde o PNLD 2020.
E há o cerco de fora. O European Accessibility Act, a Diretiva (UE) 2019/882, passou a valer em 28 de junho de 2025 e cita livro digital nominalmente no escopo. Quem exporta ou licencia conteúdo para a Europa passou a precisar entregar EPUB acessível. A referência técnica é a EPUB Accessibility 1.1, recomendação do W3C de outubro de 2024, que exige no mínimo WCAG 2.0 nível A e recomenda WCAG 2.2 nível AA.
Uma correção que vale registrar A norma ISO/IEC 23761:2021 corresponde à EPUB Accessibility 1.0, não à 1.1 — dado que circula errado em muito material de mercado. E o DAISY não foi substituído pelo EPUB 3: o próprio consórcio mantém as duas normas e promove o EPUB 3 como caminho estratégico.
Onde a escola consegue livro digital de graça?
Oito acervos públicos, todos no ar e conferidos em setembro de 2026.
8 gratuitosPPNLD Digital ativo · relançado em jun/2026
O acervo digital do PNLD, com leitor próprio: 2.878 obras, da alfabetização ao Ensino Médio.
Gratuito
Só para escolas públicas participantes do programa. Acesso por conta gov.br, leitura no navegador, com ajuste de espaçamento e temas de visualização.
pnld.fnde.gov.brMMEC Livros ativo · lançado em abr/2026
Biblioteca digital do MEC com quase 8 mil títulos, entre clássicos e best-sellers licenciados.
Gratuito
Para qualquer cidadão com login gov.br, site e app Android. Funciona como empréstimo: um livro por vez, 14 dias, com fila. Não permite baixar para Kindle.
meclivros.mec.gov.brDDomínio Público ativo desde 2004
Cerca de 190 mil itens, entre textos, imagens, áudios e vídeos.
Gratuito
Sem cadastro, com download direto, quase tudo em PDF. Volta e meia circula boato de que vai fechar; MEC, Capes e Agência Lupa desmentiram de novo em abril de 2026.
www.dominiopublico.gov.brBBNDigital ativo
O acervo digitalizado da Biblioteca Nacional: obras raras, cartografia, iconografia e a Hemeroteca Digital.
Gratuito
A Hemeroteca, com jornais históricos, é matéria-prima de aula de História e de Língua Portuguesa que quase ninguém usa.
bndigital.bn.gov.br/acervodigitalPProject Gutenberg ativo
79.347 livros em domínio público, com alguns títulos em português.
Gratuito
É dos poucos que deixam baixar o arquivo e distribuir: EPUB, HTML e texto puro. Acervo majoritariamente em inglês.
www.gutenberg.orgWWikisource em português ativo
Biblioteca colaborativa de textos em domínio público e documentos oficiais.
Gratuito
Leis, constituições e literatura brasileira e portuguesa, em texto limpo e copiável.
pt.wikisource.orgMMEC RED ativo · mudou de endereço
Recursos educacionais digitais abertos: objetos de aprendizagem, planos de aula e materiais para a educação básica.
Gratuito
Atenção ao link antigo: plataformaintegrada.mec.gov.br agora redireciona para mecred.mec.gov.br. Vale atualizar nos seus materiais.
mecred.mec.gov.brEeduCAPES ativo
Portal de objetos educacionais abertos da Capes, com mais de 130 mil itens.
Gratuito
Foco maior em ensino superior e formação de professores, mas há muito material aproveitável na básica.
educapes.capes.gov.brE as plataformas de assinatura?
Duas atendem escola de verdade. As outras que aparecem em toda lista da internet, não.
ÁÁrvore ativa · rede pública e privada
Mais de 120 mil livros e audiolivros, jornais e revistas de 80 países, com avaliação de leitura e trilha de escrita.
Sob consulta
Nasceu da fusão da Árvore de Livros com a Guten, em 2018 — as duas eram concorrentes e descobriram que as escolas compravam ambas. Inclui leitura narrada.
www.arvore.com.brEElefante Letrado ativa · independente
Biblioteca digital escolar com 51 mil títulos, da Educação Infantil ao Ensino Médio.
Sob consulta
Contratada sobretudo por prefeituras e redes estaduais. Traz audiolivros, atividades de compreensão alinhadas à BNCC e jogos de consciência fonológica.
www.elefanteletrado.com.brO que costuma aparecer nas listas e não serve à escola. Storytel (R$ 19,90/mês) e Ubook (a partir de R$ 18,90/mês) são assinaturas de pessoa física, sem plano institucional visível. O Skeelo não é vendido para escola: chega ao usuário como benefício de operadora — Vivo, Claro, TIM — e, desde junho de 2026, pelo Meli+ do Mercado Livre; é bem possível que seus alunos já tenham acesso e não saibam. O Everand, novo nome do Scribd, cobra em dólar e não tem programa para bibliotecas, o que inviabiliza compra pública. E Minha Biblioteca e Dot.Lib são de ensino superior e pesquisa, não de educação básica.
Onde publicar o próprio livro digital?
Treze serviços, com o custo real de cada um. Quatro deles são brasileiros e pagam em reais.
13 serviçosAAmazon KDP ativo
Publicar é gratuito; royalty de 35% ou 70%
KPF (recomendado), EPUB, DOCX, HTML, RTF, TXT — MOBI não
kdp.amazon.com/pt_BRKKobo Writing Life ativo
Gratuito; royalty de até 70%
Distribuição declarada para mais de 190 países
www.kobo.com/writinglifeGGoogle Play Livros ativo · cadastro intermitente
Sem taxa; royalty de 52%
EPUB (preferido) e PDF. ISBN obrigatório. O Google abre e fecha o cadastro por país — se estiver fechado, o caminho é via agregador
play.google.com/books/publishAApple Books for Authors ativo
Sem taxa de entrega; royalty de 70% em qualquer preço
EPUB e DOC. Também aceita audiolivro com narração digital
authors.apple.comDDraft2Digital ativo · absorveu o Smashwords
~10% do preço de capa, mais taxa de ativação de US$ 20
DOC, DOCX, RTF, TXT e EPUB. Distribui para as grandes lojas
draft2digital.comSSmashwords em desativação
Desde fevereiro de 2025 os autores vêm sendo migrados para o Draft2Digital, automaticamente se não responderem em duas semanas. Depois da migração não dá mais para editar nada lá. Não comece por aqui
www.smashwords.com/about/migrationfaqPPublishDrive ativo
Assinatura mensal, e o autor fica com 100% do royalty
Lógica oposta à do Draft2Digital. Há plano gratuito para um único ebook
publishdrive.comSStreetLib ativo · site brasileiro fora do ar
Comissão sobre a venda, percentual sob consulta
Distribuidora italiana de 2008, forte na Europa e na América Latina. Atenção: streetlib.com.br não resolve mais — use o domínio internacional
www.streetlib.comCClube de Autores ativa · brasileira
Publicar é gratuito; o autor define a própria margem
Mais de 150 mil livros publicados. Pagamento em reais, por depósito. Conversão para ebook com IA custa R$ 109
clubedeautores.com.brAAGBook ativa · brasileira
Publicar é gratuito; o autor define a margem
Formatos, lojas e texto do site quase idênticos aos do Clube de Autores. Na prática, opere como se fossem a mesma operação
www.agbook.com.brSSimplíssimo ativa · brasileira
R$ 79/ano para distribuir nas lojas; repasse de 90% ao autor
É a divisão mais generosa publicada entre as brasileiras. Vender só pela página própria é gratuito
simplissimo.com.brHHotmart ativa
9,9% + R$ 1,00 por venda — a taxa fixa sobe para R$ 2,49 em 21/09/2026
Vende o arquivo direto ao comprador. Não coloca o livro em livraria nenhuma
www.hotmart.comKKiwify ativa
8,99% + R$ 2,49 por venda
Mesma lógica da Hotmart, percentual um pouco menor. Recebimento em 2 dias via Pix
kiwify.com.brCom que ferramenta se produz e se converte?
Quatro das seis são gratuitas.
Ccalibre gratuito · código aberto
Converte entre dezenas de formatos e organiza a biblioteca. Versão 9.14, de agosto de 2026, mantida por Kovid Goyal.
calibre-ebook.comSSigil gratuito · código aberto
Editor de EPUB dedicado, com modo visual e modo código. É a ferramenta de quem precisa arrumar o arquivo por dentro.
sigil-ebook.comPPandoc gratuito · software livre
Conversor universal por linha de comando. Vai de Markdown ou DOCX para EPUB 2 e 3 — ideal para quem produz muito material em série.
pandoc.orgAAce by DAISY gratuito · código aberto
Validador de acessibilidade de EPUB. Aponta o que falta antes de o arquivo sair da editora. Indispensável em fluxo de didático.
daisy.org/activities/software/aceAAdobe InDesign pago
Exporta EPUB reflowable e fixed layout. É o padrão da indústria editorial.
helpx.adobe.com/indesign/using/export-content-epub-cc.htmlKKindle Create gratuito
Gera o KPF que a Amazon recomenda para envio ao KDP.
kdp.amazon.com/en_US/help/topic/G200634390Um aviso sobre conversor de PDF. A versão anterior deste texto listava iLovePDF, SmallPDF e PDFelement como ferramentas de ebook. Não são. O iLovePDF não converte EPUB; o SmallPDF só faz EPUB para PDF, nunca o contrário. E converter PDF em EPUB automaticamente quase sempre produz arquivo estruturalmente quebrado — sem sumário, com quebras de linha no meio das frases e sem hierarquia de título. Se o material nasceu em PDF e precisa virar EPUB, o caminho é voltar ao arquivo de origem, não converter o PDF.
Perguntas frequentes
Qual é o melhor formato de livro digital para a escola?
EPUB 3, na quase totalidade dos casos. É o único que entrega texto que reflui, áudio e vídeo embutidos, fórmula matemática em MathML e leitura sincronizada com destaque da palavra. A exceção é o material que depende da diagramação — prova, partitura, atlas, ficha para imprimir —, em que o PDF continua sendo a escolha certa.
O formato MOBI ainda funciona?
Não para produção. A Amazon parou de aceitar MOBI reflowable em agosto de 2021, o Send to Kindle deixou de aceitar em agosto de 2022 e o formato foi recusado por completo em 18 de março de 2025. Arquivos MOBI que já estão no seu Kindle continuam abrindo, e livros publicados antes seguem no ar — mas não produza nada novo nele.
Qual a diferença entre EPUB 2 e EPUB 3?
Para livro didático, a diferença é decisiva. O EPUB 3 aceita áudio e vídeo nativos, MathML, página de posição fixa, SVG, JavaScript e Media Overlays — a leitura em voz alta sincronizada com destaque da palavra lida, que é o recurso central para alfabetização, dislexia e baixa visão. Em EPUB 2, fórmula matemática vira imagem, e imagem é invisível para leitor de tela.
PDF é acessível?
Só se tiver sido produzido com marcação de tags, o que quase nenhum PDF escolar tem. Sem isso, o leitor de tela não distingue título de parágrafo, não lê tabela na ordem certa e não descreve imagem. E a pessoa com baixa visão não consegue aumentar a letra — só ampliar a imagem inteira e arrastar a tela.
Editora que não oferece formato acessível pode vender para o poder público?
Pode ser impedida. O artigo 68, § 1º da Lei 13.146/2015 determina que os editais de compra de livros adotem cláusulas de impedimento à participação de editoras que não ofertem sua produção também em formatos acessíveis.
Onde baixar livro digital de graça, legalmente?
Domínio Público, MEC Livros, BNDigital, Project Gutenberg, Wikisource, MEC RED e eduCAPES são gratuitos e abertos a qualquer pessoa. O PNLD Digital é gratuito, mas restrito a escolas públicas participantes do programa. Todos estão listados acima, com link.
Como converter um arquivo para EPUB?
Com o calibre, que é gratuito e converte entre dezenas de formatos, ou com o Pandoc, se você produz material em série. Para arrumar o arquivo por dentro, o Sigil. Antes de publicar didático, passe o arquivo no Ace by DAISY, que aponta o que falta em acessibilidade. Todos são gratuitos.
O formato é decisão pedagógica
Escolher entre PDF e EPUB parece assunto de TI. Não é. É decidir se o aluno com baixa visão vai conseguir aumentar a letra, se o estudante com dislexia vai poder ouvir enquanto lê, e se o material vai abrir no celular — que é onde a maior parte da leitura escolar brasileira acontece hoje.
Blog Prosa Nova
👉 prosanova.com.br/blog
Sobre esta atualização. Publicado originalmente em 13 de setembro de 2021 e reescrito integralmente em setembro de 2026. Formatos, datas, normas e serviços foram conferidos em fonte primária: Amazon KDP, Apple Support, W3C, DAISY Consortium, ISO, EUR-Lex, Planalto, FNDE e os sites oficiais de cada serviço citado. Onde a fonte primária não confirmou — caso da situação atual do formato KFX —, o texto registra a limitação em vez de afirmar. Encontrou um dado desatualizado? Escreva para a redação.
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