17 de fevereiro de 2026

Série de podcasts e ebooks para o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco

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Mais do que um serviço de digitalização, o projeto Memória da Arquitetura e Urbanismo, desenvolvido para o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco (CAU/PE), representa uma complexa operação de salvaguarda do patrimônio imaterial brasileiro.

O desafio central consistia em resgatar, restaurar e democratizar um acervo de valor inestimável que corria o risco de se perder devido à obsolescência tecnológica e à degradação física. A origem do material remonta a 1994, durante a elaboração da tese de doutorado “Las catedrales siguen siendo blancas”, da arquiteta Dra. Amélia Reynaldo. Naquele período, foram captadas em fitas microcassetes (MC-60) entrevistas exclusivas com figuras centrais do urbanismo, incluindo registros raros da voz de Lúcio Costa, além de Jan Bitoun e Vital Pessoa de Melo.

No entanto, três décadas depois, esse conteúdo encontrava-se aprisionado em mídias analógicas frágeis, com ruídos, cortes bruscos e interferências que comprometiam a inteligibilidade das falas,.O Desafio Logístico e a Engenharia de ProduçãoA complexidade do projeto impôs à Prosa Nova Educulttech barreiras que exigiram soluções logísticas criativas. Uma das premissas inegociáveis do contrato era a impossibilidade de retirar os originais de Recife, devido ao risco de extravio ou dano durante o transporte.

Para contornar essa restrição, a Prosa Nova articulou uma operação remota de alta precisão, coordenando produtores locais equipados com tecnologia de captura portátil para realizar a digitalização in loco. Essa etapa inicial revelou a natureza delicada do acervo: eram cerca de 15 horas de gravações brutas distribuídas em 15 fitas, muitas apresentando desafios técnicos severos, como trechos inaudíveis, sobreposição de gravações musicais e interrupções no raciocínio dos entrevistados.

A metodologia da Prosa Nova precisou, portanto, integrar a engenharia de áudio forense — com limpeza de frequências e equalização — a um trabalho minucioso de montagem editorial. A transformação desse material bruto em produtos culturais modernos exigiu uma curadoria intelectual rigorosa. Não bastava apenas converter o formato; era necessário contextualizar a história.

A equipe da Prosa Nova realizou a transcrição e revisão técnica de mais de 300 mil caracteres, um processo que demandou validação especializada para garantir a grafia correta de terminologias específicas da arquitetura e do urbanismo, além de referências a legislações da época.

O resultado dessa imersão foi a criação de uma narrativa transmídia coesa. O conteúdo foi reestruturado em cinco episódios de podcast, roteirizados com aberturas, trilhas sonoras e encerramentos que guiam o ouvinte moderno através do pensamento dos anos 90. Paralelamente, o material textual deu origem a uma coleção de cinco e-books, diagramados para servir como fonte de consulta perene para estudantes e profissionais da área.

Ao final do processo, o projeto entregou ao CAU/PE não apenas arquivos digitais, mas a recuperação da memória institucional da arquitetura brasileira. Este case demonstra que a preservação da memória exige mais do que ferramentas tecnológicas; exige sensibilidade histórica e capacidade de gestão para transformar arquivos empoeirados em conhecimento vivo e acessível.

Prosa News | Newsletter do Grupo Prosa Nova.