Um grupo de estudantes do interior de São Paulo resolveu um problema que a maioria das escolas ainda enfrenta sem recurso nenhum: como dar voz a uma criança que não fala. O resultado já está em uma escola municipal e pode ser baixado de graça por qualquer professor do país.

O que é o Papuguinho e para quem ele foi criado?
O Papuguinho é um sistema gratuito de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA), desenvolvido para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e para qualquer pessoa que tenha dificuldade de fala ou de interação. A ferramenta foi criada por estudantes do Campus Jacareí do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), com apoio de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), e passou a ser divulgada pelo Ministério da Educação (MEC) em agosto de 2026.
Para o professor de sala comum ou da sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE), o app chega para preencher uma lacuna conhecida: a de recursos de CAA gratuitos, em português, pensados a partir da realidade da escola pública brasileira — e não adaptados de sistemas estrangeiros pagos.
Como o aplicativo funciona na prática?
O Papuguinho funciona por pranchas visuais: a criança toca em pictogramas coloridos na tela e o aplicativo transforma essa sequência de toques em uma frase falada. A interface foi pensada para ser intuitiva, com ícones organizados por categoria — como “eu”, “querer”, “parar”, “ajudar” e “porquê” — que se combinam para formar pedidos, respostas e sentimentos do dia a dia.
O recurso mais relevante para o planejamento pedagógico é o Estúdio Papuguinho, espaço em que o professor ou a família pode trocar as imagens dos pictogramas, montar pranchas personalizadas para a rotina de cada criança e imprimir os cartões para trabalho offline antes mesmo de introduzir o app na tela. Segundo os desenvolvedores, os próximos lançamentos incluem uso sem internet após a instalação e uma barra de favoritos para os ícones mais usados — dois pedidos recorrentes de quem já testa a ferramenta em sala.
Quem criou o Papuguinho e quais escolas já usam?
O projeto nasceu como pesquisa de Manuela Antonelli e Marcela Jordana Victoria Souza, estudantes do IFSP Jacareí, e passou por diferentes fases até a versão hoje disponível ao público. A EMEI Thiago Silva Santos, da rede municipal de Jacareí (SP), foi a escola-piloto: participou dos testes e da validação pedagógica antes do lançamento nacional.
A diretora da unidade, Cátia Antonelli, resume o efeito observado em sala: “hoje o aplicativo vem como recurso e facilitador dessa comunicação”, já que a comunicação está diretamente ligada à aprendizagem e ao comportamento da criança em classe. O plano dos criadores é ampliar o uso para outras salas de AEE, com a mesma conta acessível em casa e na escola, mediante autorização da família e dos profissionais responsáveis.
Como baixar o Papuguinho e o que vem a seguir?
O Papuguinho pode ser baixado agora, de forma gratuita e sem anúncios, pelo site oficial, pela Google Play (Android) e pela Microsoft Store (Windows) — com versões para macOS, iOS e Linux já planejadas pela equipe. Não há cobrança por recursos extras ou por atualizações.
Um desenvolvimento paralelo, batizado de Gemmuguinho, é um modelo próprio de inteligência artificial que passará a operar dentro do Estúdio Papuguinho para reforçar a segurança e a privacidade dos dados das crianças usuárias — um cuidado que costuma pesar na decisão de escolas sobre adotar ou não uma nova ferramenta digital.
Perguntas frequentes
O Papuguinho é pago? Não. É 100% gratuito, sem anúncios e sem cobrança por recursos extras ou atualizações.
Em quais sistemas o app está disponível? Hoje, pelo site oficial, Google Play (Android) e Microsoft Store (Windows). Versões para macOS, iOS e Linux estão planejadas.
O Papuguinho substitui o Plano Educacional Individualizado (PEI) da criança? Não. É um recurso de Comunicação Aumentativa e Alternativa que pode compor o PEI e o trabalho da sala de AEE, mas não substitui o planejamento pedagógico individualizado.
Quem pode usar o aplicativo além da escola? Famílias, terapeutas e profissionais da educação. Com autorização dos responsáveis, a mesma conta pode ser usada em casa e nos equipamentos da escola.
Fontes
- Prefeitura Municipal de Jacareí (SP), agosto de 2026 — Estudantes do IFSP de Jacareí criam sistema para auxiliar na comunicação de crianças neurodivergentes
- Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Setec e do IFSP, agosto de 2026 — republicado em Portal Notícias MT






































