Benedito Costa Neto

Sou o Benedito Costa Neto, escritor, professor, crítico. Meu trabalho está parado no ar.

A escrita pode ser fuga, restauração, grito, mas também pode ser silêncio. É bom quando o silêncio é uma escolha e não uma mordaça. Admiro muito quem possa numa situação de dor extrema, isolamento, cárcere, luto, escrever. Para mim, a escrita já foi quase tudo isso. Eu entendo. No entanto, há vezes em que a caneta fica pairando sobre a folha, em potência apenas. Não é a tinta esgotada ou a vontade ou ainda a ideia sacudindo as grades para sair. A pandemia, por um lado, trouxe para mim ao menos a obrigação de me ausentar da escrita (nem a crítica, nem a criativa) porque não consigo escrever lidando com a morte tão perto, o descaso governamental, a corrupção que barra a construção de hospitais, a mídia nociva, o fascismo como uma hiena de grandes dentes, que saiu da sombra, onde estava escondida apenas esperando o bote. Por outro lado, a pandemia também mostrou o quanto o mercado não pode parar, rompendo o já frágil limite entre o público e o privado — e nossas casas (eu não diria “de repente” porque é um processo a correr de longa data) se transformaram em extensão das coisas do mundo. Antes refúgio ou conforto, agora mesa de trabalho, com lives, contatos, atendimentos como um enxame num pesadelo. E há quem diga que o tempo é nós que fazemos. Uau! Se mal e mal podemos alterar os ponteiros do relógio, quem dirá o planeta em torno de si mesmo e do sol e as correntes de ações e casos que podemos chamar “história”. Se já estava difícil publicar (minha editora faliu e outras querem publicar arrancando os poucos recursos que os escritores têm), a pandemia jogou a última pá de cal. Não me sinto em suspensão. Eu me sinto andando numa corda bamba sobre as correntezas do Mekong, sem bastão de equilíbrio.

 

Arte parada no ar | TANAHORA

Arte parada no ar | TANAHORA

TANAHORA  Alguém já disse que “os artistas são as pessoas mais motivadas e corajosas sobre a face daterra; lidam com mais rejeição do que a maioria das pessoas encara durante uma vida toda.”Verdade verdadeira, como se diz por aí, né? Mas quem poderia imaginar...

Arte parada no ar | Fernando Koproski

Arte parada no ar | Fernando Koproski

Fernando KoproskiO ano em que a Terra parou   a única razão de escrever um poema agora seria se este poema conseguisse alimentar e curar vocês que têm fome e enfermidades será que este poema consegue fazer isto? será que este poema consegue pegar minha filha pela...

Arte parada no ar | Luiz Felipe Leprevost

Arte parada no ar | Luiz Felipe Leprevost

Luiz Felipe Leprevost A estreia da peça estava marcada para março. Abriria o Festival de Teatro de Curitiba.Eu fazia parte do elenco desta montagem, produzida pelo Teatro de Comédia do Paraná, com direção de Rodrigo Portella. A peça, finalista do Pulitzer de 2018, era...

Arte parada no ar | Maringas Maciel

Arte parada no ar | Maringas Maciel

Maringas MacielMarço prometia    A nova montagem do TCP (Teatro de Comédia do Paraná) estava pronta para a estreia no Festival de Curitiba. 'TodoMundo', texto dede Branden Jacobs-Jenkins, com direção de Rodrigo Portella e um elenco de ponta, teria sua estreia no...

Arte parada no ar | Montenegro Produções

Arte parada no ar | Montenegro Produções

Montenegro Produções Iniciamos 2020 com uma equipe de mais de 30 profissionais envolvidos direta ou indiretamente nos projetos culturais que seriam realizados durante o ano. Por sua formatação em 10 ou 12 meses, característica dos nossos produtos, conseguimos abrir...

Arte parada no ar | Trupe Periferia

Arte parada no ar | Trupe Periferia

Trupe PeriferiaAntes que seja tarde, mais uma vez Hoje (25/06/2020) seria dia de estreia de "Meninos da Rua XV", o novo espetáculo da Trupe Periferia (os ensaios iriam começar em março). Aprovado pelo fundo municipal de cultura, traz no elenco jovens de diversas...

Manifesto
Arte parada no ar

O perigo vem pelo ar
O simples respirar é um risco
Estamos em suspenso
Atônitos
Parados

Se antes ofegantes
pelos tempos sombrios da política,
agora interrompemos a inspiração
Nosso ofício
marcado pelo encontro de pessoas
parou

Artistas isolados
Os primeiros a parar
Sem saber quando poderemos voltar

Nossos palcos cobertos de poeira
Refletores no escuro
Exposições com quadros no chão
Músicos sem plateia
Picadeiros sem graça
Sapatilhas guardadas 
Livros inéditos
Câmeras desligadas

Registramos nosso momento em imagens e textos.
Criamos, sim, dentro dos limites deste novo normal
que ainda não imaginamos
nem nas distopias mais futuristas

Um rascunho
Um ensaio aberto
Um improviso

Um respiro
mediado por telas digitais
e máscaras

Arte parada no Ar
Um retrato
e um desabafo
de criadores que resistem

Arte parada no ar é um manifesto em construção.
Nossa inspiração vem do texto “Um grito parado no ar”, de Gianfrancesco Guarnieri. A peça estreou em 1973 em Curitiba, com direção de Fernando Peixoto. A obra driblou a vigilância da ditadura de então ao usar de uma linguagem metafórica para discutir os problemas sociais. O drama fala sobre as dificuldades de se fazer arte em um tempo de repressão.

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