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9 de setembro de 2026

Resultado do Pisa 2025: avanços e desafios, área por área

O Brasil encurtou a distância para os países ricos em 20 anos — mas quatro de cada cinco pontos dessa aproximação em Matemática vieram da queda da OCDE, não do avanço brasileiro. A leitura completa dos dados oficiais do Inep, área por área.

Estudantes do Ensino Médio diante de computadores em um laboratório de informática de escola pública.
O Pisa 2025 foi aplicado integralmente por computador, entre abril e maio de 2025. No Brasil, 30.140 estudantes responderam, representando 2,18 milhões de jovens de 15 anos.

O Brasil encurtou a distância para os países ricos em 20 anos — mas quatro de cada cinco pontos dessa aproximação em Matemática vieram da queda da OCDE, não do avanço brasileiro. A leitura completa dos dados oficiais do Inep, área por área.

O resultado do Pisa 2025, divulgado pela OCDE e pelo Inep em 8 de setembro de 2026, permite duas manchetes verdadeiras e opostas. A primeira: o Brasil está entre os dez países que mais avançaram em proficiência desde 2006. A segunda: em Matemática, a nota de 2025 é a pior desde 2006 e está estatisticamente abaixo da de 2012.

As duas saíram no mesmo dia, e as duas estão certas. Este texto usa a apresentação oficial do Inep — não o resumo da imprensa — para separar o que de fato avançou, o que ficou parado e o que recuou, área por área.

Antes de qualquer número, a chave de leitura que resolve a contradição: a distância entre o Brasil e os países ricos encurtou muito mais porque eles caíram do que porque nós subimos.

Quais foram as notas do Brasil no Pisa 2025?

O Brasil fez 408 pontos em Leitura, 377 em Matemática e 409 em Ciências. As médias da OCDE foram 466, 469 e 486.

A tabela abaixo é a série completa, como o Inep a publicou. É ela que sustenta todo o resto do texto.

AnoLeitura OCDELeitura BrasilDif.Mat. OCDEMat. BrasilDif.Ciên. OCDECiên. BrasilDif.
2000500396104
200349740394502356146
2006495393102501370131503390113
200949941287502386116506405101
201250140794499389110505402103
20154974079049637711949740196
20184934138049638411249340489
20224824107248037910149140388
2025466408584693779248640977
Variação 2006 → 2025−30+15−44−32+7−39−17+18−36
A média da OCDE é a dos 23 países da organização presentes desde o Pisa 2000 — o único recorte que permite comparar todas as edições. A última linha traz as variações como o Inep as publica, calculadas sobre valores não arredondados: por isso 390 → 409 aparece como +18, e não como +19. Fonte: OCDE, Pisa 2025; elaboração: Inep.

Duas leituras saltam da última linha. A distância caiu nas três áreas, o que é real. E a coluna do Brasil mostra por que a comemoração precisa de ressalva: +15, +7 e +18 pontos em vinte anos — contra quedas de 30, 32 e 17 pontos do outro lado.

Séries históricas do Pisa: Brasil e OCDE em Leitura, Matemática e Ciências Três gráficos de linha, de 2000 a 2025. A linha do Brasil fica quase reta desde 2009 nas três áreas, entre 377 e 413 pontos, enquanto a linha da média da OCDE cai de cerca de 500 para 466 em Leitura, 469 em Matemática e 486 em Ciências. O Brasil não subiu: a OCDE desceu Médias de proficiência do Brasil e dos 23 países da OCDE presentes desde o Pisa 2000 Ponto cheio = média significativamente diferente da de 2025. Ponto vazado = empate técnico. 350 400 450 500 Leitura 396 408 500 466 2000 2006 2012 2018 2025 Matemática 356 377 502 469 2000 2006 2012 2018 2025 Ciências 390 409 503 486 2000 2006 2012 2018 2025 Brasil OCDE (23 países) Média de proficiência Fonte: OCDE, Pisa 2025 · Elaboração dos dados: Inep · Gráfico: Prosa Nova
Ponto cheio indica média significativamente diferente da de 2025; ponto vazado, empate técnico. Em Matemática, 2012 é o único ano recente estatisticamente acima do resultado atual. Fonte: OCDE, Pisa 2025; elaboração dos dados: Inep.

O detalhe técnico que muda tudo está nos pontos do gráfico. O Inep marca com ponto cheio as edições cuja média é estatisticamente diferente da de 2025, e com ponto vazado aquelas em que a diferença cabe dentro da margem de erro. Traduzindo: ponto vazado significa “empate técnico com 2025”.

Nas três áreas, tudo o que veio de 2009 em diante é ponto vazado. O Brasil não se move de forma estatisticamente comprovável há dezesseis anos.

Do outro lado da comparação, a própria OCDE registrou o que a linha cinza do gráfico mostra: a edição de 2025 marcou a menor média já observada pela organização nas três áreas principais desde que o Pisa existe.

Em que posição o Brasil ficou no ranking do Pisa 2025?

O Brasil ficou em 71º lugar em Matemática, 67º em Ciências e 52º em Leitura, entre 89 países e economias avaliados em cada área.

Uma ressalva de método, porque ela importa: essas posições não estão na apresentação do Inep, que divulga médias e séries, não ranking. Elas vêm das tabelas internacionais da OCDE e foram conferidas em duas fontes independentes que trazem a mesma base de 89 países nas três áreas.

Feita a ressalva, vale separar de vez as duas posições que a cobertura do dia misturou:

O que a posição medeLeituraMatemáticaCiências
Desempenho em 2025, entre 89 países e economias52º71º67º
Crescimento 2006–2025, entre mais de 50 países

São perguntas diferentes. A primeira é “onde o Brasil está”; a segunda, “quanto o Brasil andou”. Quem lê só a segunda conclui que o país vai bem; quem lê só a primeira conclui que nada mudou. As duas linhas juntas dizem a verdade: o Brasil andou mais que quase todo mundo e continua quase no fim da fila — porque partiu de muito atrás e porque a maior parte da fila andou para trás.

Como foi o Brasil em Leitura no Pisa 2025?

Em Leitura o Brasil fez 408 pontos, resultado estatisticamente igual ao de 2009, 2012, 2015, 2018 e 2022 — e significativamente melhor que o de 2000, 2003 e 2006.

Ou seja: houve um avanço real, e ele aconteceu entre 2006 e 2009. De 393 para 412 em três anos, o único salto da série. De lá para cá, oito edições e nenhuma mudança que a estatística reconheça. O pico da série continua sendo 2018, com 413.

É também a área em que o Brasil chega mais perto: 58 pontos de distância, contra 92 de Matemática.

Vale registrar o que a OCDE apontou como tendência internacional, porque atinge exatamente o que uma editora de Língua Portuguesa e Produção de Textos produz: caem as habilidades de avaliar a confiabilidade de uma informação, conectar dados de fontes diferentes e ler criticamente — as três que a era da IA generativa torna mais necessárias. A leitura apressada, de passar os olhos sem processar, quase dobrou entre 2018 e 2025.

Localizar informação num texto é a competência que o Pisa vê estável. Avaliar e refletir sobre ela é a que está cedendo. É uma distinção que reorganiza o plano de aula: se a atividade de leitura termina em “o que o texto diz”, ela treina a parte que não está caindo. E é a mesma fronteira que aparece quando se pergunta o que significa, de fato, estar alfabetizado — decodificar não é compreender, e localizar não é avaliar. Vale para texto escrito e vale para imagem, terreno em que o letramento visual cobra exatamente essa segunda pergunta.

Como foi o Brasil em Matemática no Pisa 2025?

Em Matemática o Brasil fez 377 pontos — o pior resultado desde 2006 e estatisticamente inferior ao de 2012, quando o país marcou 389.

Esta é a frase mais dura do documento oficial, e ela não apareceu na maioria das manchetes. Matemática é a única das três áreas em que o Inep registra uma edição recente significativamente acima da atual. O Brasil não está parado em Matemática: recuou de um patamar que já tinha alcançado.

A série conta a história com clareza:

EdiçãoNota do BrasilSituação em relação a 2025
2003356significativamente abaixo
2006370empate técnico
2009386empate técnico
2012389significativamente acima — o pico
2015377empate técnico
2018384empate técnico
2022379empate técnico
2025377
Fonte: OCDE, Pisa 2025; elaboração e marcadores de significância: Inep.

O avanço de vinte anos em Matemática é de 7 pontos, de 370 para 377. É um número que não se distingue de zero: o próprio Inep marca 2006 como empate técnico com 2025. Dito de outro modo, em Matemática o Brasil não tem avanço estatisticamente comprovável em duas décadas.

A distância para a média da OCDE é de 92 pontos. Para dar escala a esse número sem recorrer a régua nenhuma de fora, basta usar o próprio ritmo brasileiro: 7 pontos em vinte anos. Mantido esse ritmo, fechar os 92 pontos que faltam para a média atual da OCDE levaria mais de dois séculos. Não é previsão, é o que a série diz sobre a velocidade de hoje.

E é uma conta que começa muito antes do Ensino Médio: o estudante que o Pisa avaliou em 2025 aprendeu a somar, a comparar quantidades e a ler um gráfico nos anos iniciais do Fundamental — a etapa cujo material está sendo escolhido agora, no PNLD 2027 dos anos iniciais.

Como foi o Brasil em Ciências no Pisa 2025?

Em Ciências o Brasil fez 409 pontos, a maior nota que o país já registrou na área desde que passou a ser avaliado nela, em 2006 — e a única das três em que 2025 é o melhor resultado da série.

Não é um salto: 409 é estatisticamente igual a 2009, 2012, 2015, 2018 e 2022. Mas é significativamente superior a 2006, e é o topo da curva. O avanço de +18 pontos em vinte anos coloca o Brasil em 8º lugar no ranking mundial de crescimento em Ciências.

Há um detalhe de método que vale citar: Ciências foi o domínio principal do Pisa 2025. A cada ciclo a OCDE elege uma área para aprofundar, com mais itens na prova e uma estimativa mais robusta. Foi Leitura em 2018, Matemática em 2022 e Ciências em 2025. Isso não explica o resultado, mas explica por que os dados de Ciências desta edição são os mais detalhados — e por que os itens divulgados pelo Inep, como a simulação de um corredor em clima quente, mostram melhor que qualquer definição o que o Pisa entende por competência: executar uma simulação, coletar dados numa tabela e escolher a conclusão que os dados sustentam.

A OCDE, aliás, não avalia só os 15 anos. O mesmo organismo mede desenvolvimento na primeira infância, e os resultados brasileiros dessa outra avaliação — em que só 14% das famílias leem regularmente para as crianças de 5 anos — descrevem o começo da trajetória que o Pisa fotografa dez anos depois.

O que o Brasil avançou no Pisa 2025?

Cinco avanços se sustentam nos dados oficiais.

1. Ciências no topo da série. 409 pontos, o melhor resultado brasileiro na área, com avanço significativo sobre 2006.

2. Leitura significativamente acima de 2006. 408 contra 393, e a menor distância para a OCDE já registrada pelo país em qualquer área: 58 pontos.

3. Entre os dez que mais cresceram, nas três áreas. Na comparação 2006–2025, o Brasil é o 7º em Leitura, o 7º em Matemática e o 8º em Ciências, numa lista de mais de 50 países.

Área20062025DiferençaPosição no ranking de crescimento
Leitura393408+15
Matemática370377+7
Ciências390409+18
Para comparação, na mesma lista: Catar +106 em Leitura (1º), Finlândia −73 (53ª), média da OCDE −30 (36ª). Fonte: OCDE, Pisa 2025; elaboração: Inep.

Convém ler essa tabela com o cuidado que ela pede. Ficar em 7º lugar num ranking em que a maior parte dos países caiu significa, em boa medida, ter caído menos. Não é o mesmo que subir muito.

4. Celular: a política escolar que mais mudou. Em 2025, 81% dos estudantes brasileiros estavam em escolas com restrição ao uso de celular. Em 2022 eram 37%. A média da OCDE é 49%. É o maior salto de qualquer indicador de contexto brasileiro entre duas edições, e reflete a implementação da Lei nº 15.100/2025. O Inep associa a medida a menor probabilidade de o estudante relatar distração digital. A regra do celular, porém, é só a camada mais visível de uma discussão maior sobre o que a escola regula e o que ela ensina — a mesma que atravessa o Estatuto Digital da Criança e a proteção de dados dentro da escola.

5. O vínculo com a escola melhorou. Apenas 16% dos estudantes brasileiros consideram a escola uma perda de tempo — contra 24% na média da OCDE e 6,9 pontos percentuais a menos que em 2022. Além disso, 72% dizem ter interesse por diversos assuntos e 59% afirmam se esforçar mais diante de desafios. E o dado que fecha o raciocínio: no Brasil, quem reconhece o valor da educação obtém em média 35 pontos a mais em Ciências que os colegas — impacto maior que os 27 pontos observados na média da OCDE. É um ativo que não nasce só dentro da sala: o que a família comunica sobre o valor da escola aparece aqui como resultado medido.

Some-se a isso o engajamento com a agenda ambiental, em que o Brasil supera a OCDE em todos os itens medidos: 84% acreditam poder gerar impacto positivo no meio ambiente, 87% confiam na força da ação coletiva, 77% dizem saber trabalhar em grupo por mudanças e 67% gostariam de contribuir para a proteção ambiental na futura carreira, contra 62% da OCDE.

O que o Brasil não avançou — e o que recuou?

Quatro problemas, em ordem de gravidade.

1. Matemática recuou em relação a 2012 e não avançou em 20 anos. É o único retrocesso estatisticamente comprovado da edição, e está no documento oficial.

2. Dezesseis anos de estagnação nas três áreas. Nenhuma média brasileira de 2009 em diante é estatisticamente diferente da de 2025. Toda a melhora mensurável do Brasil no Pisa aconteceu entre 2000 e 2009.

3. A aproximação com a OCDE é, em boa parte, queda alheia. Este é o ponto que a leitura de manchete perde. A distância encurtou 44 pontos em Leitura, 39 em Matemática e 36 em Ciências. Decompondo cada uma delas entre o que o Brasil subiu e o que a OCDE caiu:

De onde veio a aproximação do Brasil com a média da OCDE no Pisa Três barras empilhadas. Em Leitura o Brasil subiu 15 pontos e a OCDE caiu 30, 33% da aproximação vem do Brasil. Em Matemática o Brasil subiu 7 e a OCDE caiu 32, 18%. Em Ciências o Brasil subiu 18 e a OCDE caiu 17, 51%. Em Matemática, 4 de cada 5 pontos de aproximação são queda alheia A distância para a OCDE encurtou nas três áreas. A decomposição mostra quanto disso é avanço brasileiro Quanto o Brasil subiu Quanto a OCDE caiu 0 10 20 30 40 Leitura +15 −30 33% veio do Brasil subir Matemática +7 −32 18% veio do Brasil subir Ciências +18 −17 51% veio do Brasil subir Pontos de encurtamento da distância para a média da OCDE, 2006 → 2025 Fonte: OCDE, Pisa 2025 · Elaboração dos dados: Inep · Decomposição e gráfico: Prosa Nova
Em Matemática, o Brasil subiu 7 pontos entre 2006 e 2025 enquanto a OCDE caiu 32: 82% da aproximação é queda alheia. Ciências é a única área em que o avanço brasileiro pesa mais que a queda da OCDE. Decomposição da Prosa Nova a partir dos números do Inep.
ÁreaBrasil subiuOCDE caiuParcela devida ao Brasil
Leitura+15−3033%
Matemática+7−3218%
Ciências+18−1751%
Decomposição da Prosa Nova a partir das variações publicadas pelo Inep.

Em Matemática, quatro de cada cinco pontos de aproximação com os países ricos vieram da queda deles. Ciências é a única área em que o esforço brasileiro pesa mais que o recuo alheio — e ainda assim por pouco, 51% a 49%.

4. No teste digital, o Brasil está atrás de sete vizinhos. O domínio inovador de 2025 foi Aprendizagem no Mundo Digital, com dois construtos. O primeiro, Resolução de Problemas por meio de Ferramentas Computacionais (RPFC), já tem resultado. O segundo, Processos de Aprendizagem Autorregulada, só será divulgado em 2027.

Resolução de Problemas por meio de Ferramentas Computacionais no Pisa 2025, por país Gráfico de pontos com 20 sistemas de ensino. O Brasil aparece com 406 pontos, abaixo da média internacional de 500 e atrás de Chile, Uruguai, México, Costa Rica, Peru, Colômbia e Equador. A Coreia lidera com 538 e o Paraguai fecha com 352. No teste digital, o Brasil fica atrás de sete vizinhos Domínio inovador do Pisa 2025, aplicado em 19 sistemas de ensino. Média internacional = 500 Chile, Uruguai, México, Costa Rica, Peru, Colômbia e Equador estão à frente 350 400 450 500 550 Coreia 538 Canadá 525 Estados Unidos 513 Finlândia 507 Portugal 501 Média OCDE 500 Espanha 499 Chile 466 Uruguai 462 México 453 Costa Rica 452 Peru 436 Colômbia 432 Equador 422 Brasil 406 Argentina 403 El Salvador 401 R. Dominicana 379 Guatemala 369 Paraguai 352 Média em Resolução de Problemas por meio de Ferramentas Computacionais. A linha vertical marca a média internacional, 500 pontos. Fonte: OCDE, Pisa 2025 · Elaboração dos dados: Inep · Gráfico: Prosa Nova
O domínio inovador foi aplicado em 19 sistemas de ensino. O Brasil fez 406 pontos, 94 abaixo da média internacional, atrás de Chile, Uruguai, México, Costa Rica, Peru, Colômbia e Equador. Fonte: OCDE, Pisa 2025; elaboração dos dados: Inep.

O Brasil fez 406 pontos, contra média internacional de 500. Ficou atrás de Chile (466), Uruguai (462), México (453), Costa Rica (452), Peru (436), Colômbia (432) e Equador (422). A Coreia lidera com 538.

O que o RPFC mede não é familiaridade com aparelho. É conduzir experimentos, analisar dados e construir e corrigir artefatos computacionais — decompor um problema, montar uma sequência de instruções, testar, achar o erro e consertar. A geração mais conectada da história brasileira fez 94 pontos abaixo da média internacional nessa habilidade, ao mesmo tempo em que 81% dela estuda em escola que restringe o celular.

As duas coisas não se contradizem. Elas dizem, juntas, a mesma frase: conviver com tecnologia não ensina a resolver problemas com tecnologia. Isso se ensina, com objetivo, sequência e material — que é exatamente o que as diretrizes de IA na educação aprovadas pelo CNE chamam de tratar o letramento digital como aprendizagem, e não como ferramenta. Para o Ensino Médio, este ebook gratuito sobre Educação Digital organiza a discussão em sequência didática. E convém não confundir suporte com competência: ler em tela também forma leitor, desde que a mediação exista — o problema nunca foi o dispositivo.

Quem fez a prova do Pisa 2025 no Brasil?

Participaram 30.140 estudantes brasileiros de 15 anos, representando uma população de 2.184.650 jovens. A prova foi aplicada por computador entre abril e maio de 2025.

VariávelRecorte% da amostra ponderada
RedeEstadual72,4%
Privada15,4%
Municipal9,2%
Federal3,1%
LocalizaçãoUrbana95,9%
Rural4,1%
ÁreaInterior78,1%
Capital21,9%
Ano escolar1ª série do EM55,4%
2ª série do EM29,3%
9º ano do EF10,4%
8º ano do EF3,2%
7º ano do EF1,3%
Fonte: OCDE, Pisa 2025; elaboração: Inep.

Essa tabela guarda um dado que raramente é comentado: cerca de 15% dos estudantes brasileiros de 15 anos ainda estavam no Ensino Fundamental quando fizeram a prova — 10,4% no 9º ano e quase 5% no 8º ou no 7º. O Pisa avalia por idade, não por série, e por isso mede a distorção idade-série junto com a aprendizagem. Um em cada sete avaliados está atrás do fluxo esperado.

É também por isso que a decisão pedagógica dos anos finais do Fundamental aparece nesta foto. O estudante que o Pisa avaliou em 2025 estava no 6º ano por volta de 2021.

O Pisa mede o mesmo que o Saeb e o Ideb?

Não, e confundir os dois leva a decisão errada dentro da escola. O Saeb avalia a rede brasileira com base na BNCC, devolve resultado por escola e alimenta o Ideb; o Pisa avalia jovens de 15 anos com uma matriz internacional comum, devolve resultado por país e permite comparar sistemas.

Consequência prática: o Pisa não serve para diagnóstico local. Nenhuma escola recebe sua nota. Para planejar intervenção, o dado é o do Saeb — o mesmo que está sendo analisado nas escolas no Dia D do Ideb desta semana. O Pisa serve para calibrar prioridade e para dizer em que direção o problema é nacional.

O que a escola faz com isso na segunda-feira?

Cinco movimentos que cabem no que a escola já faz, na ordem em que os dados os justificam.

  1. Tratar Matemática como emergência, não como área fraca. É a única com retrocesso estatístico comprovado. Não é uma questão de “melhorar aos poucos”: é recuperar um patamar de 2012 que já foi alcançado uma vez.
  2. Trocar a segunda pergunta de leitura. O que está caindo internacionalmente é avaliar informação e cruzar fontes. Toda atividade que hoje termina em “o que o texto diz” pode ganhar um segundo tempo: quem escreveu, com que interesse, e o que outro texto diz sobre o mesmo fato. Isso mexe na atividade, não no currículo.
  3. Colocar pensamento computacional no plano, com progressão. Os 406 pontos do RPFC dizem que o uso cotidiano de aparelhos não se converte em capacidade de resolver problemas. Isso exige sequência e material, em todas as áreas — e exige professor formado, o que hoje tem caminho gratuito e certificado nos cursos de IA e tecnologia do Avamec.
  4. Aproveitar o que já está bom. O vínculo dos estudantes brasileiros com a escola é melhor que o da média da OCDE, e vale 35 pontos em Ciências. É um ativo raro: a maior parte dos sistemas está tentando reconstruir exatamente isso.
  5. Olhar os anos finais do Fundamental. É onde o resultado de 2025 foi formado, e é a etapa em que 15% dos avaliados ainda estavam.

Onde consultar os dados originais

A apresentação oficial PISA 2025 — Resultados Brasil e o Relatório Nacional ficam na página do Pisa no Inep e na seção de resultados, que reúne todas as edições desde 2000 — útil para montar a série histórica com a turma. Os relatórios internacionais estão no portal da OCDE.

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Perguntas frequentes

Qual foi a nota do Brasil no Pisa 2025?

408 pontos em Leitura, 377 em Matemática e 409 em Ciências. As médias da OCDE foram 466, 469 e 486. No domínio inovador de resolução de problemas com ferramentas computacionais, o Brasil fez 406 contra 500 da média internacional.

Em que posição o Brasil ficou no ranking do Pisa 2025?

Em 71º lugar em Matemática, 67º em Ciências e 52º em Leitura, entre 89 países e economias em cada área. Essa é a posição de desempenho, e não deve ser confundida com a de crescimento: no ranking de quanto cada país avançou entre 2006 e 2025, o Brasil é 7º em Leitura e Matemática e 8º em Ciências, entre mais de 50 países. As posições de desempenho vêm das tabelas da OCDE; a apresentação do Inep não publica ranking.

O Brasil melhorou ou piorou no Pisa 2025?

Depende da área e do período. Em Ciências, 409 é a maior nota da série brasileira e é significativamente superior à de 2006. Em Leitura, 408 é significativamente superior a 2006, mas igual a tudo desde 2009. Em Matemática, 377 é o pior resultado desde 2006 e estatisticamente inferior ao de 2012 — é o único retrocesso comprovado da edição.

O que significa um ponto vazado no gráfico do Inep?

Significa que a média daquele ano não é estatisticamente diferente da de 2025 — um empate técnico. O Inep usa ponto cheio quando a diferença é significativa e ponto vazado quando ela cabe dentro da margem de erro. Nas três áreas, todos os anos de 2009 em diante são pontos vazados: o Brasil não registra mudança estatisticamente comprovável há dezesseis anos.

Por que dizem que o Brasil se aproximou dos países ricos?

Porque a distância caiu de fato: de 102 para 58 pontos em Leitura, de 131 para 92 em Matemática e de 113 para 77 em Ciências, entre 2006 e 2025. O que a manchete costuma omitir é a origem dessa aproximação. Decompondo, o Brasil subiu 15, 7 e 18 pontos, enquanto a OCDE caiu 30, 32 e 17. Em Matemática, portanto, 82% da aproximação vem da queda da OCDE, que registrou em 2025 a menor média já observada nas três áreas.

O que é o domínio inovador do Pisa 2025?

É a área nova de cada edição. Em 2025 foi Aprendizagem no Mundo Digital, com dois construtos: Resolução de Problemas por meio de Ferramentas Computacionais, cujos resultados já saíram, e Processos de Aprendizagem Autorregulada, que só será divulgado em 2027. O primeiro mede conduzir experimentos, analisar dados e construir e corrigir artefatos computacionais — não familiaridade com aparelhos.

Quem fez a prova do Pisa no Brasil?

30.140 estudantes de 15 anos, representando 2.184.650 jovens, avaliados entre abril e maio de 2025, todos por computador. 72,4% estudavam na rede estadual e 15,4% na rede privada; 95,9% em área urbana e 78,1% no interior. Cerca de 85% cursavam a 1ª ou a 2ª série do Ensino Médio e cerca de 15% ainda estavam no Ensino Fundamental.

Qual foi o domínio principal do Pisa 2025?

Ciências. A cada ciclo a OCDE elege uma área para aprofundar, com mais itens de prova e estimativa mais robusta: foi Leitura em 2018, Matemática em 2022 e Ciências em 2025. Por isso os dados de Ciências desta edição são os mais detalhados.

O Pisa mede o mesmo que o Saeb e o Ideb?

Não. O Saeb avalia a rede brasileira com base na BNCC, devolve resultado por escola e alimenta o Ideb; o Pisa avalia jovens de 15 anos com matriz internacional e devolve resultado por país. Nenhuma escola recebe sua nota do Pisa. Para planejar intervenção local, o dado é o do Saeb; o Pisa serve para calibrar prioridade nacional.

Fontes

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