Marcelina Fialho

Puuuutz. Foi cancelado! C A N CE LA D O. Como assim? Sério? Caraca o treco é real mesmo.
Foi um balde de água fria a notícia de que teríamos que encerrar nossas atividades porque de fato o coronavírus havia realmente se instalado em nosso país e por precaução das medidas protetivas deveríamos dar uma pausa nas atividades que envolvesse aglomerações.
(Pausa para uma mini falta de ar).
Em poucos dias tudo parou: teatros, cinemas, museus, comércios, shoppings e por ai vai.
Que tristeza! Dali pra frente enfrentaríamos o que até hoje estamos enfrentando. Dificuldades financeiras, tranformações pessoais, reflexões sobre nossa profissão e sobre a vida.
Cancelado, encerrado ou adiado? Por dias isso pairou na minha cabeça. Eu ainda não conseguia entender o que estava acontecendo. Pensei que em poucas semanas estaríamos de volta. Mas nada, nada, nada até agora e não haverá volta tão cedo.
Que injusto, que sacanagem, que absurdo. Justo agora?
O espetáculo “O casamento da filha do palhaço: uma ópera rock” estava na primeira semana de sua curta temporada, estávamos fazendo na raça. Sem grana, por amor, por vontade, por acreditarmos naquele trabalho. A grana que foi investida pela Duplo Produções para levar aquele imenso cenário, pagar os técnicos e funcionários para poder dar um empurrão para que tudo acontecesse. Os atores se entregando novamente àqueles personagens, estudando, pesquisando,  redescobrindo-se, reinventando-se felizes e amando. E estivemos todos juntos, de mãos dadas, por amor, pela arte. E de repente PUFT, tudo acabou. Tudo acabado. Tudo parado. E aqui ainda seguimos nas reflexões, nos questionamentos e imaginando nossa volta ao trabalho, sonhando literalmente em estar no palco, em contracenar, em viver. Estou sem ar. Estamos sem ar. E isso precisa acabar. Vai acabar e tudo vai passar. Enquanto isso estamos cada um na sua casa, cada um se transmutando, descobrindo novas maneiras de se comunicar, de fazer arte em casa, experimentando e inventando maluquices, vivenciando esse monólogo artístico, essa solidão coletiva e nos redescobrindo. Também seguimos nos munindo dessa nova experiencia para voltarmos a nos alimentar da fonte que nos faz sobreviver e respirar nesse país difícil que é o Brasil.

Marcelina Fialho
Atriz

Arte parada no ar | TANAHORA

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Arte parada no ar | Fernando Koproski

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Arte parada no ar | Luiz Felipe Leprevost

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Arte parada no ar | Maringas Maciel

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Arte parada no ar | Montenegro Produções

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Arte parada no ar | Benedito Costa Neto

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Benedito Costa NetoSou o Benedito Costa Neto, escritor, professor, crítico. Meu trabalho está parado no ar. A escrita pode ser fuga, restauração, grito, mas também pode ser silêncio. É bom quando o silêncio é uma escolha e não uma mordaça. Admiro muito quem possa numa...

Manifesto
Arte parada no ar

s.

O perigo vem pelo ar
O simples respirar é um risco
Estamos em suspenso
Atônitos
Parados

Se antes ofegantes
pelos tempos sombrios da política,
agora interrompemos a inspiração
Nosso ofício
marcado pelo encontro de pessoas
parou

Artistas isolados
Os primeiros a parar
Sem saber quando poderemos voltar

Nossos palcos cobertos de poeira
Refletores no escuro
Exposições com quadros no chão
Músicos sem plateia
Picadeiros sem graça
Sapatilhas guardadas 
Livros inéditos
Câmeras desligadas

Registramos nosso momento em imagens e textos.
Criamos, sim, dentro dos limites deste novo normal
que ainda não imaginamos
nem nas distopias mais futuristas

Um rascunho
Um ensaio aberto
Um improviso

Um respiro
mediado por telas digitais
e máscaras

Arte parada no Ar
Um retrato
e um desabafo
de criadores que resistem

Arte parada no ar é um manifesto em construção.
Nossa inspiração vem do texto “Um grito parado no ar”, de Gianfrancesco Guarnieri. A peça estreou em 1973 em Curitiba, com direção de Fernando Peixoto. A obra driblou a vigilância da ditadura de então ao usar de uma linguagem metafórica para discutir os problemas sociais. O drama fala sobre as dificuldades de se fazer arte em um tempo de repressão.

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